Ao longo da sua passagem pelo Concelho de Cuba, propomos-lhe uma viagem pela descoberta da arquitectura tradicional. As construções típicas integram-se na paisagem rural do Concelho, com se dele fizessem parte, utilizando materiais e soluções adaptadas e à função, formando conjuntos naturalmente equilibrados, onde o casario antigo da Vila Alva é um exemplo a não perder, nesta que é considerada, por muitos, a Aldeia mais branca de Portugal!
Casario Tradicional
O Casario típico do Concelho de Cuba é, normalmente, composto por casas térreas, de um só piso, encontrando-se também algumas casas de dois pisos que, em geral, pertenciam aos lavradores mais abastados.
As paredes são caiadas de branco, certamente por razões climáticas, pois a cal branca reflecte os raios de sol, reduzindo a sua penetração nas paredes, e consequentemente, o excessivo aquecimento nos dias de verão. As cercaduras das portas e janelas, assim como os socos (os tradicionais “barrões), são fortemente coloridos nas tonalidades proporcionadas pelos pigmentos mais disponíveis: amarelo-ocre, azul, vermelhão, verde e cinzento.
Os telhados destas casas são, quase sempre, de duas águas, em telha de canudo. Nas casas maiores de um só piso, os telhados não terminam em beirado, pois a parede das fachadas prolonga-se cerca de um metro acima, formando uma platibanda. Já as casas de dois pisos podem apresentar mansardas, e até mesmo mirantes, sobre o telhado.
Portas Tradicionais
As portas tradicionais são em madeira, quer sejam portas muito simples de uma ou duas folhas, quer sejam portas trabalhadas, de duas folhas. Praticamente todas as portas apresentam postigos, os quais, nas portas trabalhadas, são protegidos e enfeitados por gradeamentos em ferro forjado.
A altura das portas acompanha, geralmente, a dimensão da casa, encontrando-se portas de casas térreas demasiado baixas para a entrada de um adulto sem se curvar e portas de grandes dimensões nas casas de dois pisos. Os portões dão acesso ao quintal, normalmente através de um alpendre ou um anexo (em tempos usado para as mulas e carros de parelha).
Os portões mais típicos, têm a forma de arco abatido, muito característico da arquitectura alentejana. Nalguns portões ainda se pode encontrar uma pequena porta, facilitando assim o acesso de pessoas sem ser necessária a abertura completa do portão.
Janelas Típicas
A maioria das casas térreas apresenta duas janelas ladeando a porta de entrada, mas, por vezes, existe apenas uma, ou mesmo nenhuma janela para a rua. Foram, certamente, as razões climáticas que determinaram o reduzido número de janelas, pois estas são o principal meio de trocas de energia com o exterior. Nos verões escaldantes não entra tanto calor nas casas e, nos gélidos Invernos, não se perde tanto calor para o exterior.
Encontramos vários tipos de janelas: as mais simples, apenas em madeira, sem vidraças, mas com postigos também em madeira; as de dois batentes, com caixilharia de vidro mais ou menos elaborada, e as de guilhotina, com caixilharia recticulada de múltiplos vidros, em que uma das folhas abre correndo para cima, na vertical.
As janelas tradicionais podem ainda apresentar protecções com portadas de madeira, sempre no seu lado interior, possibilitando a apreciação de toda a sua beleza por quem passa na rua.
Chaminés Tradicionais
As chaminés tradicionais apresentam-se com uma secção rectangular, de grandes dimensões. Situam-se quase sempre junto a uma parede circundante da casa, normalmente na parede de separação com a casa contígua. Essa parede prolonga-se verticalmente para cima e a parede oposta da chaminé vai subindo inclinada para fechar a abertura. As paredes laterais da chaminé também sobem verticalmente.

Estas chaminés são bastante largas no seu interior, e partem normalmente da cozinha alentejana, onde se faz o aconchegante lume de chão. A abertura da chaminé para a cozinha é também bastante grande, a toda a sua largura e quase da altura de um adulto. O topo das chaminés, pode ser coberto por uma fiada de telhas e é assente sobre tijolos posicionados na vertical e afastados para formar as aberturas de saída do fumo.

Quadros a óleo – “Portas de Cuba“, da autoria de Ana Nunes, apresentados na Exposição “Refúgios“, na Biblioteca Municipal de Cuba, de 19 de Janeira a 28 de Fevereiro de 2009.




