Em meados do século XVII é fundada na povoação um recolhimento de religiosas da Terceira Ordem de Penitência do Carmo por iniciativa de um casal, Pedro Fialho e Maria Lopes, pessoas de posses e sem descendentes, devotos de Nossa Senhora do Carmo. Após a competente autorização da hierarquia eclesiástica para a construção da igreja, foi lançada a primeira pedra, num ritual de pompa e circunstância como mandava o preceito, no dia 8 de Setembro de 1652.Esta instituição foi acarinhada por muitos, recebendo importantes doações que permitiram a conclusão da igreja e a construção das dependências monásticas, num recinto cada vez mais ampliado. Destaca-se a avultada contribuição de Martinho Janeiro de Baraona, morgado da Esperança, que tomou posse do padroado do convento em 1747 e o beneficiou amplamente. Mas não foi benfeitor discreto e do feito quis deixar memória para a posteridade: mandou colocar na esquina do edifício o seu brasão pétreo com uma inscrição alusiva, datada de 1755. Com a Implantação da República e a extinção das ordens religiosas, o edifício passou a ser utilizado como hospital. Recentemente, acolhe um lar de idosos sob a administração da Santa Casa da Misericórdia.
A igreja do Recolhimento do Carmo manteve-se menos sujeita à mudança dos tempos. Exceptuando as aberturas adulteradas do primeiro piso da sua fachada virada ao espaçoso e convidativo adro, o interior mostra-se um espaço acolhedor de igreja salão, adequado a uma congregação que chegou a possuir 34 membros em 1758.
Os seus altares de talha barroca conservam uma colecção de imaginária setecentista de grande interesse, da qual se destaca, pela excelência, a escultura de Santa Rita de Cássia, já sem mãos, porque, segundo consta, os devotos ao pedirem uma graça levavam-lhe uma mão como garantia e só lha devolviam depois de obtida. Merecem menção pela qualidade algumas imagens, maioritariamente de crianças: Santa Ana a ensinar Nossa Senhora a ler, S. João Baptista Menino, carinhosamente apelidado de Baptistinha, ou o Bom Pastor, guardado no tesouro da matriz.




